
olá pessoal....passeando pela internet encontrei este comentário e achei interessante ...por isso estou repassando..espero que vocês gostem!!!!
Parece simples.
Mas definir hoje o que é teatro é um grande desafio.
Talvez porque ex-pós-modernos tenhamos assistido a implosão dos conceitos e ideologias pela tela da TV.
Talvez porque, agora, mais do que nunca, tenhamos percebido que só durante UM CURTO período da História da Encenação o teatro tenha sido aquilo que alguns de nós acreditamos que ele ainda deva ser: um lugar onde uma ou mais pessoas se apresentam para outras que observam. Um lugar (mesmo que forjado momentaneamente) onde a partir de metáforas, símbolos e outras técnicas (não necessariamente com tecnologias), criamos um mundo paralelo, que nos ensina algo sobre este mundo.
E aí, claro, a noção de teatro estaria submetida à história de sua própria arquitetura. Bom, é importante ressaltar que quando falamos em História do Teatro estamos falando de uma porção de coisas ao mesmo tempo: de capítulos da História da Religião, da Dramaturgia, da Literatura, etc... Sim! Também da História da Loucura, por que não?
As diversas tendências cênicas em curso no século XXI demonstram esse não-limite. Desenvolvidas/repercutidas/rejuntadas a partir de meados do século passado (o XX), elas colocam em questão exatamente o que se chama de “três pilares sagrados” do fazer teatral: o lugar (onde), o ator (quem) e o espectador (para quem). O edifício teatral nunca mais foi o mesmo depois de meados do século XX...
O neologismo etnocenologia, criado pelo francês Jean-Marie Pradier, por exemplo, se aplica a uma nova disciplina (coisa da década de 1990) que sonha em ampliar o "estudo do teatro" para TODAS as práticas espetaculares DE QUALQUER lugar do mundo realizadas POR QUAISQUER indivíduo. Ambiciosa e flertando com a antropologia, ela coloca o teatro ocidental, de tradição grega e/ou “teatro que vem da dramaturgia”, no devido lugar: como uma página do livro das práticas e comportamentos humanos espetaculares organizados. Pobre Sófocles... Talvez mereça uma nota de rodapé!
Num outro canto desta Babel, no Brasil, destacamos (o diretor/mestre de cerimônias) Augusto Boal e seu teatro invisível. Com ele, não só o espaço próprio e sacralizado do teatro é substituído pelas ruas, esquinas, bares e até lojas, como muitos modernos já tinham feito. Com ele, é importante que o espectador tenha consciência de que é espectador e não mergulhe na narrativa, esquecendo o que ele é naquele momento. E melhor: modifique a narrativa, que interfira não mais na estória, mas na História. Enfim, na vida... São óbvias as referências a Brecht e outros teóricos europeus.
Num ousado passo boalino (boalense?) posterior, o próprio espectador é eliminado. E Boal (novamente) concebe o teatro do oprimido – sucesso em mais de cem países – com a intenção sócio-política de libertar a platéia da opressão de apenas assistir a um espetáculo (como se já não fosse o bastante!). A idéia de teatro-ação é levada às últimas conseqüências quando o teatro fórum institucionaliza o rompimento da ação dramática pelo próprio espectador. Este passa a palpitar, a todo o momento, de que maneira a narrativa deve ser conduzida (algo como um Você Decide, só que ao vivo). É a encenação a serviço da comunicação, da psicologia, da política... “Se não pudemos fazer a revolução, que façamos teatro!!”. Ou, sei lá, o contrário.
Aristóteles bateu a testa na tumba. Segundo sua Poética, o espectador assume (e, pior, gosta) da observação, delegando “poderes” para o personagem no palco. Este, o personagem/ator, vive por um curto espaço de tempo EM SEU lugar, concretizando fantasias e delírios.
Em tempos de questionamento político e de participação popular, não é bom seguir o conselho do velho grego e o teatro vira/virou espaço de debate. Literalmente. Quebra-se a hierarquia “ator maior que público”.
Todas estas discussões ocorreram mais ou menos simultaneamente até o golpe final: a exclusão do ator. Recapitulemos: do tripé, já tínhamos limado o lugar e o espectador. Os happenings (acontecimentos), de matriz americana, defendiam a transgressão de todas as leis de elaboração de uma obra de teatro e a própria noção de espetáculo é extinta. A arte é viver. “Sobrevivemos à Hiroxima. A... Auschwitz! Isto basta!”
Com isso, meu bem, surge espaço para todo tipo de coisa. Os grandes eventos de improvisação, o recital lírico-poético, a platéia sobe no palco e tudo vira festa. Bom, é aquela máxima que eu pergunto sobre a Bahia: "Se todo mundo é artista e está no palco, quem está na platéia?"
Parece simples.
Mas definir hoje o que é teatro é um grande desafio.
Talvez porque ex-pós-modernos tenhamos assistido a implosão dos conceitos e ideologias pela tela da TV.
Talvez porque, agora, mais do que nunca, tenhamos percebido que só durante UM CURTO período da História da Encenação o teatro tenha sido aquilo que alguns de nós acreditamos que ele ainda deva ser: um lugar onde uma ou mais pessoas se apresentam para outras que observam. Um lugar (mesmo que forjado momentaneamente) onde a partir de metáforas, símbolos e outras técnicas (não necessariamente com tecnologias), criamos um mundo paralelo, que nos ensina algo sobre este mundo.
E aí, claro, a noção de teatro estaria submetida à história de sua própria arquitetura. Bom, é importante ressaltar que quando falamos em História do Teatro estamos falando de uma porção de coisas ao mesmo tempo: de capítulos da História da Religião, da Dramaturgia, da Literatura, etc... Sim! Também da História da Loucura, por que não?
As diversas tendências cênicas em curso no século XXI demonstram esse não-limite. Desenvolvidas/repercutidas/rejuntadas a partir de meados do século passado (o XX), elas colocam em questão exatamente o que se chama de “três pilares sagrados” do fazer teatral: o lugar (onde), o ator (quem) e o espectador (para quem). O edifício teatral nunca mais foi o mesmo depois de meados do século XX...
O neologismo etnocenologia, criado pelo francês Jean-Marie Pradier, por exemplo, se aplica a uma nova disciplina (coisa da década de 1990) que sonha em ampliar o "estudo do teatro" para TODAS as práticas espetaculares DE QUALQUER lugar do mundo realizadas POR QUAISQUER indivíduo. Ambiciosa e flertando com a antropologia, ela coloca o teatro ocidental, de tradição grega e/ou “teatro que vem da dramaturgia”, no devido lugar: como uma página do livro das práticas e comportamentos humanos espetaculares organizados. Pobre Sófocles... Talvez mereça uma nota de rodapé!
Num outro canto desta Babel, no Brasil, destacamos (o diretor/mestre de cerimônias) Augusto Boal e seu teatro invisível. Com ele, não só o espaço próprio e sacralizado do teatro é substituído pelas ruas, esquinas, bares e até lojas, como muitos modernos já tinham feito. Com ele, é importante que o espectador tenha consciência de que é espectador e não mergulhe na narrativa, esquecendo o que ele é naquele momento. E melhor: modifique a narrativa, que interfira não mais na estória, mas na História. Enfim, na vida... São óbvias as referências a Brecht e outros teóricos europeus.
Num ousado passo boalino (boalense?) posterior, o próprio espectador é eliminado. E Boal (novamente) concebe o teatro do oprimido – sucesso em mais de cem países – com a intenção sócio-política de libertar a platéia da opressão de apenas assistir a um espetáculo (como se já não fosse o bastante!). A idéia de teatro-ação é levada às últimas conseqüências quando o teatro fórum institucionaliza o rompimento da ação dramática pelo próprio espectador. Este passa a palpitar, a todo o momento, de que maneira a narrativa deve ser conduzida (algo como um Você Decide, só que ao vivo). É a encenação a serviço da comunicação, da psicologia, da política... “Se não pudemos fazer a revolução, que façamos teatro!!”. Ou, sei lá, o contrário.
Aristóteles bateu a testa na tumba. Segundo sua Poética, o espectador assume (e, pior, gosta) da observação, delegando “poderes” para o personagem no palco. Este, o personagem/ator, vive por um curto espaço de tempo EM SEU lugar, concretizando fantasias e delírios.
Em tempos de questionamento político e de participação popular, não é bom seguir o conselho do velho grego e o teatro vira/virou espaço de debate. Literalmente. Quebra-se a hierarquia “ator maior que público”.
Todas estas discussões ocorreram mais ou menos simultaneamente até o golpe final: a exclusão do ator. Recapitulemos: do tripé, já tínhamos limado o lugar e o espectador. Os happenings (acontecimentos), de matriz americana, defendiam a transgressão de todas as leis de elaboração de uma obra de teatro e a própria noção de espetáculo é extinta. A arte é viver. “Sobrevivemos à Hiroxima. A... Auschwitz! Isto basta!”
Com isso, meu bem, surge espaço para todo tipo de coisa. Os grandes eventos de improvisação, o recital lírico-poético, a platéia sobe no palco e tudo vira festa. Bom, é aquela máxima que eu pergunto sobre a Bahia: "Se todo mundo é artista e está no palco, quem está na platéia?"
Quem está na platéia que apague a luz!
É evidente que hoje, de uma maneira ou de outra, herdamos todas essas coisas. Para muitos, inclusive, o que JÁ ERA é o teatro como lugar sagrado, com “texto” decorado, ensaiado e com público sentado. Não necessariamente a melhor coisa a se fazer. E não que muita gente ainda saiba fazer isso...
Por aqui, pelo menos, a platéia quer é participar. Se não pode, apenas ri. Alto.
É evidente que hoje, de uma maneira ou de outra, herdamos todas essas coisas. Para muitos, inclusive, o que JÁ ERA é o teatro como lugar sagrado, com “texto” decorado, ensaiado e com público sentado. Não necessariamente a melhor coisa a se fazer. E não que muita gente ainda saiba fazer isso...
Por aqui, pelo menos, a platéia quer é participar. Se não pode, apenas ri. Alto.
Jussilene Santana
Abraços..Letícia M. Nogarolli
Abraços..Letícia M. Nogarolli
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