
Diego Fernandes e Luiz Henrique Alves
A sociedade avança devido às revoluções tecnológicas. As mídias, por estarem inseridas nesta sociedade, acompanham esse processo. Mas o que mudou – e não mudou - nos últimos anos em uma empresa de comunicação? Escolhemos a editora chefe, Elci Nakaruma, a repórter, Luciana Pena, e a produtora, Carina Bernanrdino, da rádio CBN para dar essa resposta.
Editora chefe – Elci Nakamura
Qual é o perfil de repórter que você quer na rádio nos próximos cinco anos?
Editora chefe – Elci Nakamura
Qual é o perfil de repórter que você quer na rádio nos próximos cinco anos?
Um profissional que duvide, que questione sempre e nunca aceite a primeira informação como verdadeira. O jornalista tem que desenvolver o seu “faro” para discernir o que é notícia e vale divulgar para o ouvinte e o que é factóide e autopromoção.
Como seria uma redação ideal, um jornalista mais novo com uma mais velho ou só novos?
A integração entre os jovens e os mais velhos é bastante saudável em uma redação. A vontade de aprender e a ousadia dos novos junto com a experiência e capacidade de discernimento dos mais velhos podem resultar em um interessante equilibro para o bom trabalho numa redação.
Que tipo de conhecimento é mais importante (para trabalhar na CBN)?
Um jornalista não pode nunca achar que sabe o suficiente. É preciso manter acesa a ânsia de saber mais, conhecer mais, experimentar mais. É fundamental gostar de ler. Quem lê tem vocabulário, e quem tem vocabulário consegue escrever um bom texto.
O que não deve mudar?
Profissionais comprometidos com a missão de informar com responsabilidade, ter humildade para reconhecer as falhas e aceitar as críticas e ter a mente aberta para as mudanças.
Luciana Peña – Repórter
Sua rotina mudou com a multimídia?
Sim, mudou e muito! Comecei a trabalhar com máquina de escrever e hoje é tudo pelo computador. Mas tudo ficou mais fácil. Antes, eu perdia muito tempo procurando telefones na lista telefônica, por exemplo, agora busco informações dos entrevistados na web.
Você teve que desenvolver novas habilidades para trabalhar com esse novo formato?
Tive que aprender as técnicas de informática e a trabalhar com novos programas, principalmente com os de edições.
Agora que tudo é mais rápido, ainda se persegue “o furo”?
Ainda tem “o furo”, sim, mas é difícil. Nunca se sabe quem realmente deu a notícia primeiro. O mais importante é prezar pela qualidade do que se produz.
A pauta ficou mais complexa?
Não é que ficou mais complexa. Hoje é preciso tomar decisões rápidas, ser criterioso e saber o que vale e o que não vale a pena tratar.
O jornalismo de opinião e mais analítico vai voltar?
Ele nunca deixou de existir. Ainda temos revistas e jornais que estimam isso. A CBN, por exemplo, sempre busca isso nas entrevistas e com participações de especialistas nos assuntos abordados.
Carina Bernardino – Produtora
A produção é feita na mesma velocidade de antes?
Eu diria que não. Assim, como o avanço das multimídias, o trabalho também teve sua evolução. As tarefas triplicaram, pois além de utilizarmos todas as mídias, temos ainda que manuseá-las com certo diferencial, com criatividade. No meu caso, quando digito uma matéria, eu já tenho que pensar em um título atrativo que também será divulgado no twitter, e ainda prestar atenção na programação da rede (Sistema Globo de Rádio/ CBN São Paulo), enquanto ouço e transcrevo a entrada do repórter ao vivo para postar no site e atendo as mensagens dos ouvintes pelo twitter, celular (SMS), pelo telefone e faço a ronda pelo outros sites.
Existe pressão para fazer mais coisas além do que já se fazia?
Eu costumo dizer que a pressão é própria e única do profissional. Ninguém gosta de ser o último a dominar ou utilizar uma nova tecnologia. É claro que com o surgimento das novas mídias aumenta também a cobrança por resultados. Mas, elas não são diretas da chefia, mas do compromisso que a pessoa assume com a atividade que desempenha. As mídias se tornam aliadas de quem quer desenvolver um bom trabalho e, consequentemente, de quem quer evoluir e crescer com elas.
O que se pode aprender com a antiga geração? E o contrário?
De que o aperfeiçoamento é necessário e que os valores são únicos. Já os mais velhos aprendem a se “restaurar” diariamente, senão ficam para trás.
A ponte entre a facul e o mercado pode e deve ser cruizada por vocês! Parabéns pelo post!
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