Dona Conceição é uma senhora de classe. Natural de Portugal, sempre apreciou as iguarias do país europeu. Para ela, não há nada melhor que um farto bacalhau, com azeitonas pretas e o azeite mais caro.
Para o almoço de domingo, que iria reunir suas amigas da alta sociedade, Conceição foi até o Mercadão Municipal comprar suas caras especiarias.
Chegando lá, foi abordada por um jovem. Ele era mais magro que o normal, vestia roupas rasgadas e cheirava a quem não via um chuveiro há dias. Ele pediu a ela que lhe ajudasse doando algum alimento, uma pequena fruta que fosse. O jovem estava desnutrido, faminto.
Conceição, com seu temperamento forte, não pensou duas vezes e disse ao rapaz que não iria ajudá-lo, que ele deveria era procurar um emprego. E pensou: “Imagine só, meu dinheiro é para comprar os ingredientes do almoço. Preciso impressionar minha amigas!”.
Ao sair do mercadão, Conceição caminha lentamente sentido ao seu carro, quando de repente começa a passar mal e suar frio. Quando está prestes a desmaiar, o jovem rapaz, que observava tudo de longe, correu para ajudá-la.
Ele segurou as mãos dela, disse que ficaria tudo bem. Chamou uma ambulância e a acompanhou até o hospital. Não foi embora de lá enquanto não a visse bem.
Conceição ficou entre a vida e a morte, e se não fosse a ajuda do rapaz, ela provavelmente teria morrido. Ela acordou chamando o rapaz e disse a ele que ela seria eternamente grata por ter salvado a vida dela, que ela lhe daria abrigo, comida e roupas limpas. Disse também que não entendeu sua atitude, porque ela lhe havia negado ajuda. O jovem então respondeu: “Antes da minha mãe falecer, disse que se eu ajudasse as pessoas sem esperar nada em troca. Se eu desejasse o bem mesmo a aqueles que não se importam comigo, eu seria recompensado”.
Mariana Ranzani
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