sábado, 5 de dezembro de 2009

Porque tenho orgulho de meu pai


Não haveria pessoa mais ideal para eu homenagear do que o meu pai. Poucas pessoas são capazes de criar oito filhos e dois netos com dignidade e qualidade de vida. Nascido em Ribeirão Preto em 10 de agosto de 1938, meu pai é filho de uma mineira com um baiano, que para melhorar de vida, foi à pé da Bahia para São Paulo, numa viagem que durou seis meses.
Aos sete anos, meu pai teve sarampo e ficou quinze dias internado em Curitiba. Sua família morava em Ribeirão Claro, interior do Paraná. Por causa da doença, ficou provisoriamente com perda do tato e de todos os pelos do corpo.
Depois de recuperado, meu pai se tornou um menino muito ativo. Na fazenda em que morava, era considerado o grande perito do estilingue. As galinhas que matou do vizinho lhe renderam uma surra de sua mãe, Iraci.
Desde pequeno meu pai trabalhou para ajudar no orçamento familiar. Aos 10 anos, atravessava a mata para levar comida para os trabalhadores. Durante sua vida, meu pai foi carpinteiro, auxiliar de tintureiro (por esse motivo é a pessoa que melhor passa roupa em casa) trabalhou em navios da marinha, e em várias profissões que você possa imaginar.
Meu pai entrou na Eletropaulo como carpinteiro, mas o bom serviço fez com que se tornasse o primeiro encarregado de sessão negro da empresa. Foi na Eletropaulo que ele conheceu a luta sindical de que tanto se empenhava.
Durante mais de 20 anos, meu pai acordou às 4 da manhã para ir trabalhar sem sequer reclamar um dia.
Fale sobre qualquer assunto com meu pai, que ele conta uma história.
Eu nunca o enxerguei como um super herói. Na verdade, os defeitos de meu pai são bastante evidentes, mas ele é uma pessoa de quem eu tenho muito orgulho.
Alfredo Pinto da Silva não é um nome que está nos livros de história, mas é um nome que está no coração de todos que o conhece.

Michele Silva

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