Retiro-me do amplo deserto melancólico são
desatinado por um horizonte bucólico em vão
Em adaptação faço útil todos os sentidos
para cobrir com reações os pontos mais feridos
Arranho o tato em ferrugem negra portão
e mordo à saliva o paladar com tiras de algodão
Ouço pranto domínio e risos falsos em encarnação
e o cheiro das podres almas naturais tornam-se sutil então
Cancelo a ótica para o consciente embaraçoso sumido
e na adaptação castigo, faço útil todos os sentidos
Diego Fernandes,
do blog Cascas de Letras.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
R$ 14 bilhões de reais para o Rio de Janeiro

Esta é a quantia necessária para a adequação do estado que vai sediar as Olimpíadas de 2016. Um sonho idealizado há algumas décadas atrás, quando o Brasil veio a fracassar por três vezes, mas justamente agora, na época em que o Presidente Lula é chamado de “O Cara” pelo mais importante líder mundial Barack Obama, o Brasil leva para o Rio de Janeiro as Olimpíadas que acontecerão daqui sete anos.
A delegação brasileira que foi até a Dinamarca ficou hospedada no Hotel SKT Petri, local que foi praticamente fechado desde o início da semana somente pela ‘nossa delegação’. O governo não divulgou os gastos desta imensa comitiva nacional formada por políticos, atletas e dirigentes. Algumas centenas de convidados e dezenas de bicões que festejaram até altas horas da madrugada a conquista do Rio 2016.
Este tipo de gasto é exorbitante para tão pouco benefício que trará para o País, ou mesmo para o Rio de Janeiro. Os jogos Pan-Americanos de 2007, por exemplo, nos deixaram vários estádios mal projetados e localizados, e agora vazios. Tantos milhões de reais fixados em uma obra que não educa e não trata pessoas que precisam de assistência médica.
Há um estudo divulgado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que exibe o ‘Mapa do fim da Fome no Brasil’, baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD). Este estudo aponta que existe hoje no país 29,3% da população vivendo na miséria, isso corresponde a aproximadamente 50 milhões de brasileiros das mais variadas idades. Esta pesquisa apontou resultados que deveriam ser levados em conta tendo em vista a tão evidente luta governamental pelas ‘pessoas pobres do país’.
Erradicar a miséria no Brasil significa R$ 1,69 bilhão por mês, isto é 2% do PIB, ou seja, R$ 10,4 reais (dez reais e quarenta centavos) por brasileiro para solucionar o problema da fome no país. A idéia principal desta pesquisa é apresentar para a população como custa pouco erradicar a pobreza no país.
Pois então é uma questão de análise de comportamento governamental e dos ministros e secretários que auxiliam o governo a tomar as decisões corretas para ‘todos’. Talvez seja vantajoso ‘investir’ R$ 14 bilhões em obras para serem usadas somente uma ou duas vezes.
Porém como bons brasileiros que somos sabemos que o governo toma várias atitudes irresponsáveis, mas o que é mais impressionante é ver pessoas cultas e esclarecidas deixarem se levar por essa brincadeira.
Por Raul
Pica-Pau: O verdadeiro vilão do desenho animado
Quando perguntamos a uma criança:” Qual desenho você mais gosta?“, sem pensar muito, a maioria delas respondem: “Pica-Pau”. E ao vermos o desenho realmente parece ser legal, a ave serelepe, as cores vibrantes, as correrias dos personagens, parece ser um desenho simples e inocente, é realmente ele nos chama atenção.
Porém, se pararmos para analisar, notamos que não é um desenho tão simples. Será que você já percebeu que o Pica-Pau sempre se dá bem? Você parou para pensar que ele sempre prejudica os outros para satisfazer a si próprio? Enfim, essas são alguns dos questionamentos que devem vir a nossa cabeça quando assistimos o tal desenho.
A fonoaudióloga, pedagoga e psicóloga Elza dias Pacheco, apresentou como tese de doutorado a desconstrução do livro O Pica-Pau: Herói ou Vilão. E será através deste que meus argumentos serão baseados.
Como disseram nas pesquisas as crianças adoram o Pica-pau porque “ele é pequeno, bonito, tem cores lindas a berrantes; além disso, é preguiçoso, muito esperto, faz tudo o que quer para defender o que é seu”, analisa Elza. Nessa pesquisa, o ranking foi o seguinte: Pica-pau em primeiro lugar com 82 indicações, seguido por A turma do Pateta, com 70, depois o Pernalonga com 58 e por fim o Máskara, com 42.
Para mostrar como tudo o que digo tem fundamento, trago aqui um episódio bem conhecido do personagem o “Freeway Fracas”, ou em português, “Auto-estrada fracassada”. Nesse episódio um engenheiro que constrói auto-estradas, precisa derrubar uma árvore que atrapalha na construção da via. Porém é justamente nessa árvore que o Pica-pau mora e ele faz de tudo para que sua moradia não seja destruída. Para conseguir o que quer, o personagem utiliza um machado, uma betoneira, dinamite, guindaste, trator e até um rolo compressor. Enfim, ele espanca, explode e destrói tudo o que vê pela frente para defender o seu lar da destruição.
Esse episódio é um dos mais comentados, pois nele fica bem clara a esperteza e o individualismo da ave protagonista. A sua casa é uma propriedade privada, não pode ser destruída por ninguém, por nenhum outro interesse que não seja o dele, nem que para isso, ele parta para a agressão. Nota-se aí o capitalismo impregnando a ideologia infantil, enquanto que valores morais, como tratar bem as pessoas, ficam em segundo plano.
Também deve ser analisado o mito do herói. Eles são sempre bonzinhos, fazem somente o que é certo, mesmo que de forma errada. Porém no caso do Pica-pau, existe uma contradição de valores. Nesse episódio, está sendo construída uma auto-estrada, logo, o bem ficaria ao lado da construção, pois é um bem público, fazendo que com assim, facilite a vida dos usuários da estrada, porém, para isso, é necessário que seja derrubada uma árvore. Entretanto, nada disso acontece, muito pelo contrário, o Pica-pau, egoísta como é, defende apenas o que é seu e que julga como sendo seu direito, deixando o bem social de lado.
Um outro símbolo importante é a questão do tempo, a mudança do domínio da vida, ou seja, quem coordena o mundo é o adulto, então quando a criança vê animais atuando como personagens, como se fossem seres humanos, para ela é incrível.
O desenho do Pica-pau foi criado em 1940 por Walter Lantz. O criador foi muito perturbado por um pássaro desse tipo que bicava seu telhado, muito irritado, ele criou um personagem violento, baseado na ave chata de seu teto. Porém, o bicho passou uma imagem distorcida a seu público. As crianças passaram a se identificar com o personagem.
Segundo uma entrevista feita com crianças por Elza Dias Pacheco, 90% delas gostariam de ser como ele. Elas dizem que ele sabe se defender bem, que ele sabe muito bem enganar os outros. Em uma outra entrevista, foi perguntado as crianças o porquê de elas gostarem tanto do desenho, e elas respondem: “ele rói a árvore e ela vai na cabeça dos outros”, ou ainda, “ele destrói as árvores e faz malvadezas.”.
No entanto, ao fazermos uma análise mais crítica, sabemos que na realidade o que é mostrado no desenho são contradições, ou seja, na realidade, não podemos agir da mesma forma que o personagem age no desenho, pois temos nossas leis, nossas regras, nossa moral. Os desenhos devem ser criativos, educativos, capazes de fazer com que as crianças aprendam algo verdadeiro e moralmente correto, a partir da realidade em que vivemos. Pensando também no que é melhor para os que vivem em torno dela, não somente no seu bem estar.
Mariama Pacífico.
Porém, se pararmos para analisar, notamos que não é um desenho tão simples. Será que você já percebeu que o Pica-Pau sempre se dá bem? Você parou para pensar que ele sempre prejudica os outros para satisfazer a si próprio? Enfim, essas são alguns dos questionamentos que devem vir a nossa cabeça quando assistimos o tal desenho.
A fonoaudióloga, pedagoga e psicóloga Elza dias Pacheco, apresentou como tese de doutorado a desconstrução do livro O Pica-Pau: Herói ou Vilão. E será através deste que meus argumentos serão baseados.
Como disseram nas pesquisas as crianças adoram o Pica-pau porque “ele é pequeno, bonito, tem cores lindas a berrantes; além disso, é preguiçoso, muito esperto, faz tudo o que quer para defender o que é seu”, analisa Elza. Nessa pesquisa, o ranking foi o seguinte: Pica-pau em primeiro lugar com 82 indicações, seguido por A turma do Pateta, com 70, depois o Pernalonga com 58 e por fim o Máskara, com 42.
Para mostrar como tudo o que digo tem fundamento, trago aqui um episódio bem conhecido do personagem o “Freeway Fracas”, ou em português, “Auto-estrada fracassada”. Nesse episódio um engenheiro que constrói auto-estradas, precisa derrubar uma árvore que atrapalha na construção da via. Porém é justamente nessa árvore que o Pica-pau mora e ele faz de tudo para que sua moradia não seja destruída. Para conseguir o que quer, o personagem utiliza um machado, uma betoneira, dinamite, guindaste, trator e até um rolo compressor. Enfim, ele espanca, explode e destrói tudo o que vê pela frente para defender o seu lar da destruição.
Esse episódio é um dos mais comentados, pois nele fica bem clara a esperteza e o individualismo da ave protagonista. A sua casa é uma propriedade privada, não pode ser destruída por ninguém, por nenhum outro interesse que não seja o dele, nem que para isso, ele parta para a agressão. Nota-se aí o capitalismo impregnando a ideologia infantil, enquanto que valores morais, como tratar bem as pessoas, ficam em segundo plano.
Também deve ser analisado o mito do herói. Eles são sempre bonzinhos, fazem somente o que é certo, mesmo que de forma errada. Porém no caso do Pica-pau, existe uma contradição de valores. Nesse episódio, está sendo construída uma auto-estrada, logo, o bem ficaria ao lado da construção, pois é um bem público, fazendo que com assim, facilite a vida dos usuários da estrada, porém, para isso, é necessário que seja derrubada uma árvore. Entretanto, nada disso acontece, muito pelo contrário, o Pica-pau, egoísta como é, defende apenas o que é seu e que julga como sendo seu direito, deixando o bem social de lado.
Um outro símbolo importante é a questão do tempo, a mudança do domínio da vida, ou seja, quem coordena o mundo é o adulto, então quando a criança vê animais atuando como personagens, como se fossem seres humanos, para ela é incrível.
O desenho do Pica-pau foi criado em 1940 por Walter Lantz. O criador foi muito perturbado por um pássaro desse tipo que bicava seu telhado, muito irritado, ele criou um personagem violento, baseado na ave chata de seu teto. Porém, o bicho passou uma imagem distorcida a seu público. As crianças passaram a se identificar com o personagem.
Segundo uma entrevista feita com crianças por Elza Dias Pacheco, 90% delas gostariam de ser como ele. Elas dizem que ele sabe se defender bem, que ele sabe muito bem enganar os outros. Em uma outra entrevista, foi perguntado as crianças o porquê de elas gostarem tanto do desenho, e elas respondem: “ele rói a árvore e ela vai na cabeça dos outros”, ou ainda, “ele destrói as árvores e faz malvadezas.”.
No entanto, ao fazermos uma análise mais crítica, sabemos que na realidade o que é mostrado no desenho são contradições, ou seja, na realidade, não podemos agir da mesma forma que o personagem age no desenho, pois temos nossas leis, nossas regras, nossa moral. Os desenhos devem ser criativos, educativos, capazes de fazer com que as crianças aprendam algo verdadeiro e moralmente correto, a partir da realidade em que vivemos. Pensando também no que é melhor para os que vivem em torno dela, não somente no seu bem estar.
Mariama Pacífico.
Arte e educação: Efeito transformador
Sabemos que a arte é uma grande aliada da educação, mas para que possa haver essa colaboração é necessário uma formação dos professores para que estejam aptos a lidar com a correlação arte-educação e o apoio das escolas para que a prática seja possível.
A escola deve dar as oportunidades e subsídios para melhorar o ensino e ajudar na qualificação dos professores.
A arte e sua essência devem ser infiltradas na escola para que os alunos se tornem mais sensíveis ao belo e refinados à prática da aprendizagem. O estudo da arte pode ser relacionado com todas as outras matérias, auxiliando na concentração, memorização, raciocínio.
Não só em questões didáticas, a arte também auxilia na socialização do indivíduo, no convívio fora da escola, na interação com a família. Ela promove o engajamento cultural por meio de suas expressões.
Apreciação artística e história da arte não têm lugar na escola. Visitas a exposições são raras e em geral pobremente preparadas.
O passeio tem mais importância para as crianças do que a apreciação das obras de arte. A fonte mais freqüente de imagens para as crianças é a TV, os fracos padrões dos desenhos para colorir e cartazes pela cidade (outdoors).
Quando a arte é ensinada nas escolas, ocorre de um modo muito superficial, as vezes até sem oferecer a possibilidade de entrar em contato direto com as obras.
É como ensinar a ler sem livros na sala de aula.
Para que a arte cumpra seu papel da transmissão de valores como respeito, ajuda mútua, companheirismo, coletividade, são necessárias as relações sociais, logo, a cidadania. Deve ser valorizado a livre expressão das crianças e incentivar o desenvolvimento da criatividade para que o desenvolvimento integral do indivíduo seja proporcionado.
Nayara Spessato.
A escola deve dar as oportunidades e subsídios para melhorar o ensino e ajudar na qualificação dos professores.
A arte e sua essência devem ser infiltradas na escola para que os alunos se tornem mais sensíveis ao belo e refinados à prática da aprendizagem. O estudo da arte pode ser relacionado com todas as outras matérias, auxiliando na concentração, memorização, raciocínio.
Não só em questões didáticas, a arte também auxilia na socialização do indivíduo, no convívio fora da escola, na interação com a família. Ela promove o engajamento cultural por meio de suas expressões.
Apreciação artística e história da arte não têm lugar na escola. Visitas a exposições são raras e em geral pobremente preparadas.
O passeio tem mais importância para as crianças do que a apreciação das obras de arte. A fonte mais freqüente de imagens para as crianças é a TV, os fracos padrões dos desenhos para colorir e cartazes pela cidade (outdoors).
Quando a arte é ensinada nas escolas, ocorre de um modo muito superficial, as vezes até sem oferecer a possibilidade de entrar em contato direto com as obras.
É como ensinar a ler sem livros na sala de aula.
Para que a arte cumpra seu papel da transmissão de valores como respeito, ajuda mútua, companheirismo, coletividade, são necessárias as relações sociais, logo, a cidadania. Deve ser valorizado a livre expressão das crianças e incentivar o desenvolvimento da criatividade para que o desenvolvimento integral do indivíduo seja proporcionado.
Nayara Spessato.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Projeto promove inclusão social para deficientes
“Sempre falei isso... todo mundo é capaz de fazer, basta querer”. A declaração foi feita com muita dificuldade pela artesã Clélia Budach, 32 anos, portadora de paralisia cerebral desde o nascimento. Tamanha confiança é resultado da participação dela no projeto Ateliê de Escultura em Argila, que atende pessoas com necessidades especiais.
A mãe adotiva dela, a empresária Elza Budach conta que a participação da filha no ateliê supre a necessidade de convívio social. “Quando Clélia interage com outras pessoas, através das esculturas que faz, ela se sente realizada, recebe elogios, tenta estabelecer um diálogo e recebe a atenção das pessoas”.
O desenvolvimento pessoal e motor de Clélia podem ser observados através da evolução das obras, que melhoram cada vez mais. Batista confirma que ela tem dificuldades para realizar o trabalho. A primeira obra que produziu, não ficou em pé, mas isso não serviu para que Clélia desistisse da escultura.
Histórico
O Ateliê de Escultura em Argila foi criado pelo psicólogo e artista plástico Walmir Batista da Silva. Inicialmente, funcionava como oficina de artes plásticas. Numa parceria com a Escola de Reabilitação de Adolescentes, do distrito de Iguatemi, o projeto foi adaptado para funcionar como uma ferramenta de educação alternativa. O objetivo era reintegrar adolescentes infratores ao convívio social.
Após a desativação da escola, alguns alunos continuaram no novo espaço, cedido pelo Diretório Central dos Estudantes, na UEM. Outras pessoas da comunidade, bem como funcionários e alunos da universidade começaram a participar do Ateliê.
Ao entrar no curso de especialização em Ciências Morfofisiológicas, Batista mudou o foco para alunos com deficiência motora e da fala. O ateliê começou a funcionar como um espaço para desenvolver o indivíduo nos aspectos neurológico, psicológico e motor, através do conceito de neuroplasticidade.
Durante as aulas os alunos realizam exercícios motores amassando e modelando a argila. São estimulados a criar formas, sem interferências, o que desenvolve a liberdade de expressão deles.
Neuroplasticidade
A neuroplasticidade é a capacidade que o cérebro tem de se reajustar. Quando um neurônio é lesionado, é substituído pelos neurônios vizinhos, que assumem a sua função.
Segundo o professor do Departamento de Ciências Morfofisiológicas da UEM, Marcílio Hubner de Miranda Neto, orientador de Batista, quando os alunos manipulam a argila, os músculos são exercitados e os neurônios estimulados a trabalhar para aumentar o número de sinapses (ligações entre as células nervosas). “Quanto maior a sinapse, maior a eficiência do processamento de informações no cérebro”, diz.
Conquistas
“Meu filho renasceu.” Com essas palavras, o professor aposentado Edgar Souza explica as conquistas que o filho, o escultor Edvan Dias de Souza, 33 anos, obteve participando do projeto. Portador de paralisia cerebral desde o nascimento, Edvan possui uma lesão na parte do cérebro que controla a fala e os movimentos.
Segundo Edgar, o filho passava a maior parte dos dias dentro de casa. Como não tinha amigos, e não realizava nenhum tipo de atividade, Edvan sentia- se entediado. O desejo de mudar essa situação fez com que Edgar, junto com a esposa, procurasse ajuda.
Os pais dele souberam de um projeto realizado na UEM, que auxiliava pessoas com necessidades especiais. Entraram em contato e constataram que o auxílio era para indivíduos com deficiência mental, o que não era o caso.
Eles foram, então, direcionados para visitar o Centro de Vida Independente (CVI), que funciona no Colégio de Aplicação Pedagógica (CAP), na UEM. Ali foram convidados a inscreverem o filho no Ateliê.
Edgar e Vanda Souza não suspeitavam que ali começasse uma parceria de sucesso. Em 2005, sete anos após ingressar no projeto, Edvan teve as obras Torres Gêmeas e Equilíbrio, selecionadas para a Mostra Paranaense de Artes Visuais da Região Norte, sendo o único portador de deficiência classificado entre os finalistas.
A exposição trouxe visibilidade para Edvan. Em 2007, as obras dele foram vistas na Exposição Projeto Arte e Neuroplasticidade, que aconteceu no Maringá Park. Em 2009, o escultor se classificou para o Prêmio Sentidos, idealizado pela revista de mesmo nome, que foca a inclusão social de pessoas com deficiência.
Da amizade e parceria entre aluno e professor, surgiu um projeto cultural que têm o objetivo de expandir e oferecer os benefícios da modelagem em argila. Com a ajuda de Valmir, Edvan teve projeto aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura de Maringá nesse ano, passando a atuar como produtor cultural no Centro Cultural João Paulo II..
O rapaz dá aulas para os alunos do Colégio João XXIII, e para crianças e adultos na Associação Maringaense dos Autistas, a AMA.
A mãe, Vanda Souza, conta que hoje o filho pratica atividades esportivas, têm mais amizades, consegue se comunicar com mais facilidade e se locomover com mais desenvoltura. “Ele ficou mais independente, mais confiante, até viaja sozinho”, diz.
Essa transformação foi fruto da paciência e do incentivo recebidos pelo professor.
Desafios
Edvan enxerga a escultura como um meio promotor de crescimento pessoal. Vindo de uma família apreciadora da arte, começou suas investidas na pintura, sem sucesso. Quando teve acesso às esculturas, viu sua veia artística despertar. “Eu demorei mais para descobrir que podia trabalhar com argila”, declara.
Desde o início, o escultor mostrou ter um grande talento, devido à complexidade de suas obras. As premiações e as exposições serviram para confirmar a boa qualidade das peças dele. Mas as conquistas não fizeram com que o artista deixasse de sofrer preconceitos, fato que contribui para sua participação na luta pela inclusão social.
O artesão é membro da diretoria do Centro de Vida Independente de Maringá. Visita escolas e empresas para contar a história de vida, e conscientizar as pessoas quanto às necessidades dos deficientes.
Mesmo tendo reconhecimento no meio artístico, o Edvan ainda enfrenta desafios no mercado de trabalho. O escultor foi aprovado em dois concursos que participou, sendo um em primeiro lugar para a vaga de auxiliar administrativo. Numa empresa não foi chamado pela deficiência na coordenação motora. Na Prefeitura Municipal não foi aceito sob a alegação de pouca agilidade para o trabalho.
Outro desafio para ele é provar que não é deficiente mental. Apesar apresentar dificuldades na fala e na coordenação motora, Edvan consegue desenvolver o raciocínio perfeitamente. “ Dia a dia preciso provar que sou capaz”, desabafa.
LOCAL DE ATENDIMENTO:
Bloco 6, na UEM.
Aulas às quartas e sextas-feiras à tarde e quintas-feiras de manhã e à tarde.
Telefone: 9942-5142
O espaço foi cedido por alunos do Diretório Central dos Estudantes da UEM.
Michele Silva / André Scarate / Sueli Nascimento
A mãe adotiva dela, a empresária Elza Budach conta que a participação da filha no ateliê supre a necessidade de convívio social. “Quando Clélia interage com outras pessoas, através das esculturas que faz, ela se sente realizada, recebe elogios, tenta estabelecer um diálogo e recebe a atenção das pessoas”.
O desenvolvimento pessoal e motor de Clélia podem ser observados através da evolução das obras, que melhoram cada vez mais. Batista confirma que ela tem dificuldades para realizar o trabalho. A primeira obra que produziu, não ficou em pé, mas isso não serviu para que Clélia desistisse da escultura.
Histórico
O Ateliê de Escultura em Argila foi criado pelo psicólogo e artista plástico Walmir Batista da Silva. Inicialmente, funcionava como oficina de artes plásticas. Numa parceria com a Escola de Reabilitação de Adolescentes, do distrito de Iguatemi, o projeto foi adaptado para funcionar como uma ferramenta de educação alternativa. O objetivo era reintegrar adolescentes infratores ao convívio social.
Após a desativação da escola, alguns alunos continuaram no novo espaço, cedido pelo Diretório Central dos Estudantes, na UEM. Outras pessoas da comunidade, bem como funcionários e alunos da universidade começaram a participar do Ateliê.
Ao entrar no curso de especialização em Ciências Morfofisiológicas, Batista mudou o foco para alunos com deficiência motora e da fala. O ateliê começou a funcionar como um espaço para desenvolver o indivíduo nos aspectos neurológico, psicológico e motor, através do conceito de neuroplasticidade.
Durante as aulas os alunos realizam exercícios motores amassando e modelando a argila. São estimulados a criar formas, sem interferências, o que desenvolve a liberdade de expressão deles.
Neuroplasticidade
A neuroplasticidade é a capacidade que o cérebro tem de se reajustar. Quando um neurônio é lesionado, é substituído pelos neurônios vizinhos, que assumem a sua função.
Segundo o professor do Departamento de Ciências Morfofisiológicas da UEM, Marcílio Hubner de Miranda Neto, orientador de Batista, quando os alunos manipulam a argila, os músculos são exercitados e os neurônios estimulados a trabalhar para aumentar o número de sinapses (ligações entre as células nervosas). “Quanto maior a sinapse, maior a eficiência do processamento de informações no cérebro”, diz.
Conquistas
“Meu filho renasceu.” Com essas palavras, o professor aposentado Edgar Souza explica as conquistas que o filho, o escultor Edvan Dias de Souza, 33 anos, obteve participando do projeto. Portador de paralisia cerebral desde o nascimento, Edvan possui uma lesão na parte do cérebro que controla a fala e os movimentos.
Segundo Edgar, o filho passava a maior parte dos dias dentro de casa. Como não tinha amigos, e não realizava nenhum tipo de atividade, Edvan sentia- se entediado. O desejo de mudar essa situação fez com que Edgar, junto com a esposa, procurasse ajuda.
Os pais dele souberam de um projeto realizado na UEM, que auxiliava pessoas com necessidades especiais. Entraram em contato e constataram que o auxílio era para indivíduos com deficiência mental, o que não era o caso.
Eles foram, então, direcionados para visitar o Centro de Vida Independente (CVI), que funciona no Colégio de Aplicação Pedagógica (CAP), na UEM. Ali foram convidados a inscreverem o filho no Ateliê.
Edgar e Vanda Souza não suspeitavam que ali começasse uma parceria de sucesso. Em 2005, sete anos após ingressar no projeto, Edvan teve as obras Torres Gêmeas e Equilíbrio, selecionadas para a Mostra Paranaense de Artes Visuais da Região Norte, sendo o único portador de deficiência classificado entre os finalistas.
A exposição trouxe visibilidade para Edvan. Em 2007, as obras dele foram vistas na Exposição Projeto Arte e Neuroplasticidade, que aconteceu no Maringá Park. Em 2009, o escultor se classificou para o Prêmio Sentidos, idealizado pela revista de mesmo nome, que foca a inclusão social de pessoas com deficiência.
Da amizade e parceria entre aluno e professor, surgiu um projeto cultural que têm o objetivo de expandir e oferecer os benefícios da modelagem em argila. Com a ajuda de Valmir, Edvan teve projeto aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura de Maringá nesse ano, passando a atuar como produtor cultural no Centro Cultural João Paulo II..
O rapaz dá aulas para os alunos do Colégio João XXIII, e para crianças e adultos na Associação Maringaense dos Autistas, a AMA.
A mãe, Vanda Souza, conta que hoje o filho pratica atividades esportivas, têm mais amizades, consegue se comunicar com mais facilidade e se locomover com mais desenvoltura. “Ele ficou mais independente, mais confiante, até viaja sozinho”, diz.
Essa transformação foi fruto da paciência e do incentivo recebidos pelo professor.
Desafios
Edvan enxerga a escultura como um meio promotor de crescimento pessoal. Vindo de uma família apreciadora da arte, começou suas investidas na pintura, sem sucesso. Quando teve acesso às esculturas, viu sua veia artística despertar. “Eu demorei mais para descobrir que podia trabalhar com argila”, declara.
Desde o início, o escultor mostrou ter um grande talento, devido à complexidade de suas obras. As premiações e as exposições serviram para confirmar a boa qualidade das peças dele. Mas as conquistas não fizeram com que o artista deixasse de sofrer preconceitos, fato que contribui para sua participação na luta pela inclusão social.
O artesão é membro da diretoria do Centro de Vida Independente de Maringá. Visita escolas e empresas para contar a história de vida, e conscientizar as pessoas quanto às necessidades dos deficientes.
Mesmo tendo reconhecimento no meio artístico, o Edvan ainda enfrenta desafios no mercado de trabalho. O escultor foi aprovado em dois concursos que participou, sendo um em primeiro lugar para a vaga de auxiliar administrativo. Numa empresa não foi chamado pela deficiência na coordenação motora. Na Prefeitura Municipal não foi aceito sob a alegação de pouca agilidade para o trabalho.
Outro desafio para ele é provar que não é deficiente mental. Apesar apresentar dificuldades na fala e na coordenação motora, Edvan consegue desenvolver o raciocínio perfeitamente. “ Dia a dia preciso provar que sou capaz”, desabafa.
LOCAL DE ATENDIMENTO:
Bloco 6, na UEM.
Aulas às quartas e sextas-feiras à tarde e quintas-feiras de manhã e à tarde.
Telefone: 9942-5142
O espaço foi cedido por alunos do Diretório Central dos Estudantes da UEM.
Michele Silva / André Scarate / Sueli Nascimento
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Cuidado com os efeitos da internet

E logo janelinha pisca na tela do computador. Alguém acaba de entrar no msn. Vários sites sendo atualizados a cada minuto. Qual será o mais novo acontecimento? Intimidades sendo reveladas pelas páginas do orkut. A foto da garota abraçada com o rapaz foi publicada. É assim a vida de quem tem o computador e suas ferramentas como o arroz e o feijão de todo dia. A internet não é apenas uma rede social que substituiu a mensagem no celular, a ligação de horas e horas com alguém que mora longe e aquela visita na casa do amigo no sábado à tarde. Infelizmente, os cidadãos internautas transferiram para a tela do computador todas as necessidades, agora tudo pode ser feito sentado no sofá da sala ao mesmo tempo em que assiste na televisão ao programa preferido, ouve a música predileta no Ipood. A compra do mês, aquela blusa rosa linda que a amiga mostrou na web can, o pagamento da fatura do cartão de crédito e até sexo pode ser feito virtualmente. Esqueceu-se do contato físico, transferiu-se para a máquina o que antes se fazia pessoalmente. O vizinho ao lado é conhecido como o “cara do 903”; o nick no msn traduz em meia dúzia de palavras a personalidade de quem está do outro lado (mas o nome não é identificado); o perfil do orkut mostra quantos contatos, isso mesmo, apenas “contatos”, você pode ter ao mesmo tempo. Mas aquela quantidade absurda de perfis não passa de números, porque amigos conta-se nos dedos. Essa é a famosa informatização e as novas tecnologias que consomem os seres humanos cada vez mais. Perdeu-se a capacidade de comunicação e relacionamento pessoal, a famosa cara-cara, olho no olho. Conhece-se meio mundo, mas não se esqueçam, é tudo intermediado por uma tela de 10, 15 ou até 19 polegadas. Segredos, desabafos e experiências. Histórias e mais histórias são contadas diariamente entre pessoas que nem se conhecem direito, mas por detrás de uma tela dizem-se amigos e quando se esbarram na rua são desconhecidos e nem se cumprimentam. Não estranhem, eu já havia dito para não se esquecerem, esse clico só se mantém vivo porque se alimenta á distância. Essa é a comunicação eletrônica que mantém nossa alma distante.
Fernanda Mantelo
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Site
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Maria Gadú

Uma passagem rápida pelo Blog.
Apenas para apresentar Maria Gadú.
A paulistana, radicada no Rio de Janeiro,tem em suas obras melodias serenas e letras palpáveis, que funcionam como isca para quem gosta de boa música anexada a uma potente voz.
São músicas suingadas, gostosas para matar tempo e ver o dia passar sem compromisso.
A cantora, compositora e violonista promete ser um efeito sobre os realces da música popular brasileira.
Ouça Maria Gadú: http://www.myspace.com/mariagadu
Diego Fernandes
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Preparem a pipoca, vem aí o 6º Festival de Cinema de Maringá
O tema desta edição é o centenário da atriz e cantora Carmen Miranda e terá como palco a UEM, de 3 a 10 de julho.A mostra tem possibilitado as pessoas o contato com o universo de produção do cinema nacional, não só pela parte artística, mas também a técnica. O evento irá oferecer oficinas de montagem e edição, roteiro, direção de fotografia, oficina de animação.
A partir dessas oficinas, será produzido um curta metragem, resultado do trabalho dos participantes que será exibido no último dia do festival.
Cada uma das oficinas oferece 30 vagas. As inscrições são gratuitas e terminam em 2 de julho.
Os locais para realização do evento já estão definidos. Foram montados dois espaços especialmente para festival no estacionamento do Restaurante Universitário. Um para exibição da mostra competitiva e outro para debates e palestras. Além de um espaço cedido pela UEM para a mostra paralela que irá ocorrer junto com as oficinas de cinema no anfiteatro do CCH, Bloco H-35.
Vale ressaltar que público tem um papel muito especial nesse festival, além de expectador é claro. Todas as categorias, artística e técnica, para longas e curtas-metragens em 35mm, bem como para curtas-metragens em plataforma digital, são votadas pelo público e não por uma comissão técnica. O Festival de Maringá é um dos poucos do país em que o público participa através do voto. A entrada para todas as sessões da mostra também é gratuita.Outra atração do festival é uma exposição em homenagem a Carmem Miranda, no ano do centenário do nascimento da atriz. A exposição, que tem curadoria do Museu da Imagem e do Som do Paraná, trará para Maringá fotos, cartazes sobre a pequena notável e ainda filmes estrelados pela atriz.
É isso aí galera. Vale à pena conferir. A programação completa do Festival, horário dos filmes e oficinas, está no site www.festcinemaringa.com.br é só escolher o horário e aproveitar.
Sueli Nascimento Silva
André Scarate
terça-feira, 9 de junho de 2009
A COISA

olá pessoal....passeando pela internet encontrei este comentário e achei interessante ...por isso estou repassando..espero que vocês gostem!!!!
Parece simples.
Mas definir hoje o que é teatro é um grande desafio.
Talvez porque ex-pós-modernos tenhamos assistido a implosão dos conceitos e ideologias pela tela da TV.
Talvez porque, agora, mais do que nunca, tenhamos percebido que só durante UM CURTO período da História da Encenação o teatro tenha sido aquilo que alguns de nós acreditamos que ele ainda deva ser: um lugar onde uma ou mais pessoas se apresentam para outras que observam. Um lugar (mesmo que forjado momentaneamente) onde a partir de metáforas, símbolos e outras técnicas (não necessariamente com tecnologias), criamos um mundo paralelo, que nos ensina algo sobre este mundo.
E aí, claro, a noção de teatro estaria submetida à história de sua própria arquitetura. Bom, é importante ressaltar que quando falamos em História do Teatro estamos falando de uma porção de coisas ao mesmo tempo: de capítulos da História da Religião, da Dramaturgia, da Literatura, etc... Sim! Também da História da Loucura, por que não?
As diversas tendências cênicas em curso no século XXI demonstram esse não-limite. Desenvolvidas/repercutidas/rejuntadas a partir de meados do século passado (o XX), elas colocam em questão exatamente o que se chama de “três pilares sagrados” do fazer teatral: o lugar (onde), o ator (quem) e o espectador (para quem). O edifício teatral nunca mais foi o mesmo depois de meados do século XX...
O neologismo etnocenologia, criado pelo francês Jean-Marie Pradier, por exemplo, se aplica a uma nova disciplina (coisa da década de 1990) que sonha em ampliar o "estudo do teatro" para TODAS as práticas espetaculares DE QUALQUER lugar do mundo realizadas POR QUAISQUER indivíduo. Ambiciosa e flertando com a antropologia, ela coloca o teatro ocidental, de tradição grega e/ou “teatro que vem da dramaturgia”, no devido lugar: como uma página do livro das práticas e comportamentos humanos espetaculares organizados. Pobre Sófocles... Talvez mereça uma nota de rodapé!
Num outro canto desta Babel, no Brasil, destacamos (o diretor/mestre de cerimônias) Augusto Boal e seu teatro invisível. Com ele, não só o espaço próprio e sacralizado do teatro é substituído pelas ruas, esquinas, bares e até lojas, como muitos modernos já tinham feito. Com ele, é importante que o espectador tenha consciência de que é espectador e não mergulhe na narrativa, esquecendo o que ele é naquele momento. E melhor: modifique a narrativa, que interfira não mais na estória, mas na História. Enfim, na vida... São óbvias as referências a Brecht e outros teóricos europeus.
Num ousado passo boalino (boalense?) posterior, o próprio espectador é eliminado. E Boal (novamente) concebe o teatro do oprimido – sucesso em mais de cem países – com a intenção sócio-política de libertar a platéia da opressão de apenas assistir a um espetáculo (como se já não fosse o bastante!). A idéia de teatro-ação é levada às últimas conseqüências quando o teatro fórum institucionaliza o rompimento da ação dramática pelo próprio espectador. Este passa a palpitar, a todo o momento, de que maneira a narrativa deve ser conduzida (algo como um Você Decide, só que ao vivo). É a encenação a serviço da comunicação, da psicologia, da política... “Se não pudemos fazer a revolução, que façamos teatro!!”. Ou, sei lá, o contrário.
Aristóteles bateu a testa na tumba. Segundo sua Poética, o espectador assume (e, pior, gosta) da observação, delegando “poderes” para o personagem no palco. Este, o personagem/ator, vive por um curto espaço de tempo EM SEU lugar, concretizando fantasias e delírios.
Em tempos de questionamento político e de participação popular, não é bom seguir o conselho do velho grego e o teatro vira/virou espaço de debate. Literalmente. Quebra-se a hierarquia “ator maior que público”.
Todas estas discussões ocorreram mais ou menos simultaneamente até o golpe final: a exclusão do ator. Recapitulemos: do tripé, já tínhamos limado o lugar e o espectador. Os happenings (acontecimentos), de matriz americana, defendiam a transgressão de todas as leis de elaboração de uma obra de teatro e a própria noção de espetáculo é extinta. A arte é viver. “Sobrevivemos à Hiroxima. A... Auschwitz! Isto basta!”
Com isso, meu bem, surge espaço para todo tipo de coisa. Os grandes eventos de improvisação, o recital lírico-poético, a platéia sobe no palco e tudo vira festa. Bom, é aquela máxima que eu pergunto sobre a Bahia: "Se todo mundo é artista e está no palco, quem está na platéia?"
Parece simples.
Mas definir hoje o que é teatro é um grande desafio.
Talvez porque ex-pós-modernos tenhamos assistido a implosão dos conceitos e ideologias pela tela da TV.
Talvez porque, agora, mais do que nunca, tenhamos percebido que só durante UM CURTO período da História da Encenação o teatro tenha sido aquilo que alguns de nós acreditamos que ele ainda deva ser: um lugar onde uma ou mais pessoas se apresentam para outras que observam. Um lugar (mesmo que forjado momentaneamente) onde a partir de metáforas, símbolos e outras técnicas (não necessariamente com tecnologias), criamos um mundo paralelo, que nos ensina algo sobre este mundo.
E aí, claro, a noção de teatro estaria submetida à história de sua própria arquitetura. Bom, é importante ressaltar que quando falamos em História do Teatro estamos falando de uma porção de coisas ao mesmo tempo: de capítulos da História da Religião, da Dramaturgia, da Literatura, etc... Sim! Também da História da Loucura, por que não?
As diversas tendências cênicas em curso no século XXI demonstram esse não-limite. Desenvolvidas/repercutidas/rejuntadas a partir de meados do século passado (o XX), elas colocam em questão exatamente o que se chama de “três pilares sagrados” do fazer teatral: o lugar (onde), o ator (quem) e o espectador (para quem). O edifício teatral nunca mais foi o mesmo depois de meados do século XX...
O neologismo etnocenologia, criado pelo francês Jean-Marie Pradier, por exemplo, se aplica a uma nova disciplina (coisa da década de 1990) que sonha em ampliar o "estudo do teatro" para TODAS as práticas espetaculares DE QUALQUER lugar do mundo realizadas POR QUAISQUER indivíduo. Ambiciosa e flertando com a antropologia, ela coloca o teatro ocidental, de tradição grega e/ou “teatro que vem da dramaturgia”, no devido lugar: como uma página do livro das práticas e comportamentos humanos espetaculares organizados. Pobre Sófocles... Talvez mereça uma nota de rodapé!
Num outro canto desta Babel, no Brasil, destacamos (o diretor/mestre de cerimônias) Augusto Boal e seu teatro invisível. Com ele, não só o espaço próprio e sacralizado do teatro é substituído pelas ruas, esquinas, bares e até lojas, como muitos modernos já tinham feito. Com ele, é importante que o espectador tenha consciência de que é espectador e não mergulhe na narrativa, esquecendo o que ele é naquele momento. E melhor: modifique a narrativa, que interfira não mais na estória, mas na História. Enfim, na vida... São óbvias as referências a Brecht e outros teóricos europeus.
Num ousado passo boalino (boalense?) posterior, o próprio espectador é eliminado. E Boal (novamente) concebe o teatro do oprimido – sucesso em mais de cem países – com a intenção sócio-política de libertar a platéia da opressão de apenas assistir a um espetáculo (como se já não fosse o bastante!). A idéia de teatro-ação é levada às últimas conseqüências quando o teatro fórum institucionaliza o rompimento da ação dramática pelo próprio espectador. Este passa a palpitar, a todo o momento, de que maneira a narrativa deve ser conduzida (algo como um Você Decide, só que ao vivo). É a encenação a serviço da comunicação, da psicologia, da política... “Se não pudemos fazer a revolução, que façamos teatro!!”. Ou, sei lá, o contrário.
Aristóteles bateu a testa na tumba. Segundo sua Poética, o espectador assume (e, pior, gosta) da observação, delegando “poderes” para o personagem no palco. Este, o personagem/ator, vive por um curto espaço de tempo EM SEU lugar, concretizando fantasias e delírios.
Em tempos de questionamento político e de participação popular, não é bom seguir o conselho do velho grego e o teatro vira/virou espaço de debate. Literalmente. Quebra-se a hierarquia “ator maior que público”.
Todas estas discussões ocorreram mais ou menos simultaneamente até o golpe final: a exclusão do ator. Recapitulemos: do tripé, já tínhamos limado o lugar e o espectador. Os happenings (acontecimentos), de matriz americana, defendiam a transgressão de todas as leis de elaboração de uma obra de teatro e a própria noção de espetáculo é extinta. A arte é viver. “Sobrevivemos à Hiroxima. A... Auschwitz! Isto basta!”
Com isso, meu bem, surge espaço para todo tipo de coisa. Os grandes eventos de improvisação, o recital lírico-poético, a platéia sobe no palco e tudo vira festa. Bom, é aquela máxima que eu pergunto sobre a Bahia: "Se todo mundo é artista e está no palco, quem está na platéia?"
Quem está na platéia que apague a luz!
É evidente que hoje, de uma maneira ou de outra, herdamos todas essas coisas. Para muitos, inclusive, o que JÁ ERA é o teatro como lugar sagrado, com “texto” decorado, ensaiado e com público sentado. Não necessariamente a melhor coisa a se fazer. E não que muita gente ainda saiba fazer isso...
Por aqui, pelo menos, a platéia quer é participar. Se não pode, apenas ri. Alto.
É evidente que hoje, de uma maneira ou de outra, herdamos todas essas coisas. Para muitos, inclusive, o que JÁ ERA é o teatro como lugar sagrado, com “texto” decorado, ensaiado e com público sentado. Não necessariamente a melhor coisa a se fazer. E não que muita gente ainda saiba fazer isso...
Por aqui, pelo menos, a platéia quer é participar. Se não pode, apenas ri. Alto.
Jussilene Santana
Abraços..Letícia M. Nogarolli
Abraços..Letícia M. Nogarolli
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