
E logo janelinha pisca na tela do computador. Alguém acaba de entrar no msn. Vários sites sendo atualizados a cada minuto. Qual será o mais novo acontecimento? Intimidades sendo reveladas pelas páginas do orkut. A foto da garota abraçada com o rapaz foi publicada. É assim a vida de quem tem o computador e suas ferramentas como o arroz e o feijão de todo dia. A internet não é apenas uma rede social que substituiu a mensagem no celular, a ligação de horas e horas com alguém que mora longe e aquela visita na casa do amigo no sábado à tarde. Infelizmente, os cidadãos internautas transferiram para a tela do computador todas as necessidades, agora tudo pode ser feito sentado no sofá da sala ao mesmo tempo em que assiste na televisão ao programa preferido, ouve a música predileta no Ipood. A compra do mês, aquela blusa rosa linda que a amiga mostrou na web can, o pagamento da fatura do cartão de crédito e até sexo pode ser feito virtualmente. Esqueceu-se do contato físico, transferiu-se para a máquina o que antes se fazia pessoalmente. O vizinho ao lado é conhecido como o “cara do 903”; o nick no msn traduz em meia dúzia de palavras a personalidade de quem está do outro lado (mas o nome não é identificado); o perfil do orkut mostra quantos contatos, isso mesmo, apenas “contatos”, você pode ter ao mesmo tempo. Mas aquela quantidade absurda de perfis não passa de números, porque amigos conta-se nos dedos. Essa é a famosa informatização e as novas tecnologias que consomem os seres humanos cada vez mais. Perdeu-se a capacidade de comunicação e relacionamento pessoal, a famosa cara-cara, olho no olho. Conhece-se meio mundo, mas não se esqueçam, é tudo intermediado por uma tela de 10, 15 ou até 19 polegadas. Segredos, desabafos e experiências. Histórias e mais histórias são contadas diariamente entre pessoas que nem se conhecem direito, mas por detrás de uma tela dizem-se amigos e quando se esbarram na rua são desconhecidos e nem se cumprimentam. Não estranhem, eu já havia dito para não se esquecerem, esse clico só se mantém vivo porque se alimenta á distância. Essa é a comunicação eletrônica que mantém nossa alma distante.
Fernanda Mantelo
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