domingo, 29 de novembro de 2009

A liberação do azar

Dívidas, lares destruídos, desespero, compulsão e vício. Esses são alguns dos fatores reais, presentes na vida de milhares de pessoas que se deixam levar pelo deslumbramento ilusório dos jogos de azar.
Com a liberação dos bingos, caça-níqueis e videobingos no País, esta realidade tem grandes chances de torna-se ainda mais frequente. Dados do Ambulatório do Jogo Patológico (Amjo) apontam que o quadro de jogadores patológicos se agravou há cerca de 15 anos com o videopôquer, e estourou com a abertura das casas de bingo.
O que parece diversão, passatempo e uma forma de resolver os problemas financeiros, acaba por se tornar um ciclo vicioso onde as vítimas jogam compulsivamente, arruinando a carreira profissional, a vida familiar e até social.
Centenas de famílias já assistiram verdadeiros impérios desmancharem-se sob atos impulsivos de jogadores compulsivos. Algumas pessoas perdem em um dia seu salário do mês; outras vezes, verdadeiras fortunas são destruídas em pouco tempo.
Será que é preciso perder os bens, a casa onde mora, a família e até a dignidade para se perceber que os jogos de azar, como o próprio nome já diz, são um calabouço sem direito a segunda chance? Enquanto houver vício, haverá transgressão das regras, desrespeito ao sistema, violação de valores sociais e, principalmente, morais.
A liberação dos bingos é com certeza um caminho facilitado para a dependência desses apostadores, e um retrocesso da lei brasileira. Lamentável.

Kauê Fabrício Berto

Um comentário: